sábado, 11 de agosto de 2007

História de um palhaço

No mundo do faz de conta,
E o rei do riso, da alegria,
Da ilusão, traquinagem e fantasia.


Nariz vermelho, cara pintada,
Roupa colorida e folgada,
Assim e o ídolo da garotada.

Eu, porém, que já conheço,
Dessa vida as asperezas, os tropeços,
Observo com atenção uma cena inusitada:

Uma lágrima escorrer meio que escondida,
Devagar, trêmula, cristalina, incolor,
No rosto daquele ser que vive alegrando a vida.

E, a platéia sem perceber, aplaudia com grande fervor,
Achando tudo aquilo estranho, fiquei pensativo,
Qual a causa de estar acontecendo aquilo, o motivo ?

Seria uma lágrima de alegria ?
Seria talvez, uma lágrima de desamor ?
Seria por acaso, uma lágrima de dor ?

Não, não poderia ser de alegria,
Pois o texto ele conhecia e repetia,
Já a vários anos, dia após dia.

De desamor, com certeza também não,
Ele tinha uma grande paixão,
Uma filhinha, uma flor em botão.

Restava portanto, a lágrima de dor,
Nesse instante ele ficou sério, parou,
Pediu licença a platéia e dolente falou:

- “Distinto e respeitável público,
Desculpe-me, mas não posso continuar,
Neste instante sinto-me culpado,púdico.

Um anjo todos os dias estava a me assistir,
Na primeira fila, palmas batia sem parar,
Mas a partir de hoje, nunca mais estará aqui.

Pouco antes do espetáculo começar,
Talvez, não mais querendo vê-la sofrer,
O mal que a acometia, achou de sua vida tirar.

Eu, por me preparar pra começar a trabalhar,
Não pude com ela os últimos instantes estar,
Pois sabia que o espetáculo não podia parar.

Tinha uma obrigação, um dever,
Só depois das luzes apagarem, tudo terminar,
Poderia eu chegar junto e dolente chorar.

Senhora e senhores, meus prezados,
A dor que ora sinto, não me deixa continuar,
Nenhum de vocês pode mensurar o meu sofrer.

Como pai, no momento, estou arrasado,
Espero ao menos que entendam o meu estado,
O motivo de não dar continuidade, ter parado.

Peço que me deixem ir para junto dela,
Pois a única coisa que agora posso fazer por ele,
E rezar e derramar meu pranto solitário, calado.

A platéia, pela primeira vez, não aplaudiu,
Aquele grande palhaço que ate então surgiu,
Junto com ele chorou, chorou...E silenciosamente partiu.

- Lusivan Suna

Um comentário:

Anônimo disse...

É sem dúvida uma história comovente,que nos leva a reflexão,e só comprova que as aparências enganam, que devemos estar mais atentos aos pequenos detalhes,ao público passou despercebido aquela lágrima que insistia em cair do rosto daquele grande palhaço.Quantas vezes ficamos indiferentes a dor de alguém que está do nosso lado, não por maldade mais por distração e falta de amor ao próximo.

Carinhosa.